73 países compram imóveis em Miami. Esses são os 5 da América Latina que lideram a lista e o que move cada um deles.

Quando o Miami Association of Realtors divulgou que compradores de 73 países adquiriram imóveis no Sul da Flórida nos últimos dois anos, a maioria das pessoas leu como curiosidade. Uma prova de que Miami é uma cidade global, cosmopolita, internacional.

Quem atua no mercado de perto leu como algo diferente: uma confirmação de que Miami deixou de ser um destino regional para se tornar um dos mercados imobiliários mais internacionalizados do mundo comparável, em perfil de compradores, a Londres, Dubai ou Singapura.

E dentro dessa internacionalização, a América Latina ocupa um papel que nenhuma outra região do mundo replica.

O domínio latino-americano em números

Compradores latino-americanos representam 86% de todas as compras internacionais de novos empreendimentos no Sul da Flórida, segundo dados do Miami Association of Realtors. Em alguns submercados específicos Brickell, Coral Gables, Miami Beach a participação latino-americana chega a 75%, 82% e 77%, respectivamente.

15% de todas as vendas residenciais em Miami em 2025 foram feitas por compradores internacionais bem acima da média nacional de 2% e da média estadual da Flórida de 5%.

Esses números não descrevem uma tendência. Descrevem uma realidade estrutural que está moldando o mercado imobiliário do Sul da Flórida de forma permanente.

Colômbia: o líder consistente

A Colômbia manteve sua posição como o país que mais busca imóveis no Sul da Flórida por 39 meses consecutivos mais de três anos de liderança ininterrupta nas pesquisas internacionais por propriedades em Miami.

Compradores colombianos representam a maior fatia de compras internacionais em Miami. As motivações são consistentes: diversificação de portfólio, proteção cambial, educação de qualidade para os filhos Miami tem escolas e universidades de alto nível que atraem famílias colombianas que buscam um ambiente acadêmico superior ao disponível em Bogotá ou Medellín.

A maioria dos compradores colombianos 54% compra para renda de aluguel. É um perfil de investidor sofisticado, que enxerga Miami não como casa de férias mas como gerador de renda em dólar.

Argentina: a busca por proteção patrimonial

A Argentina é o segundo maior mercado de compradores internacionais em Miami, e as razões são profundamente ligadas ao contexto econômico do país.

Com inflação crônica, desvalorização cambial e instabilidade política, os argentinos desenvolveram ao longo de décadas uma capacidade de preservação patrimonial que poucos outros grupos de investidores possuem. E Miami se tornou o destino natural para esse capital um mercado em dólar, com segurança jurídica, em uma cidade com forte presença da comunidade argentina.

68% dos compradores argentinos compram exclusivamente para renda de aluguel. É o maior percentual de investidores puros entre todos os grupos latinos compradores que não pretendem morar no imóvel, mas que o utilizam como ferramenta de preservação e geração de renda.

Brasil: proteção, lifestyle e segunda residência

O Brasil ocupa consistentemente a terceira posição entre os compradores latino-americanos em Miami, e o perfil brasileiro é particularmente interessante pela sua diversidade de motivações.

57% dos compradores brasileiros compram para uso de férias. É o percentual mais alto de compradores de segunda residência entre todos os grupos internacionais refletindo a forte conexão cultural e afetiva que os brasileiros têm com Miami.

Mas por trás da casa de férias, a motivação mais profunda é a mesma que move os outros grupos: proteção patrimonial em dólar, diversificação internacional e acesso a um mercado com fundamentos sólidos de longo prazo.

O investidor brasileiro é, em média, mais sofisticado do que parece nas estatísticas. Muitos que compram formalmente para “uso de férias” são, na prática, diversificadores de portfólio que entendem o valor de ter ativos em uma jurisdição estável fora do Brasil.

México: Miami como hub de negócios

Os investidores mexicanos têm um perfil distinto dos outros grupos latinos. Para eles, Miami não é apenas uma residência secundária ou uma ferramenta de proteção patrimonial é uma base estratégica de negócios.

A posição de Miami como hub para operações com a América Latina, combinada com a presença de bancos internacionais, escritórios de gestão de patrimônio e uma infraestrutura de negócios sofisticada, torna a cidade particularmente atraente para empresários e executivos mexicanos que operam em múltiplos mercados simultaneamente.

Compradores mexicanos também são atraídos pela proximidade geográfica voos diretos de Cidade do México e Guadalajara facilitam o deslocamento frequente e pela possibilidade de expansão de negócios para o mercado americano a partir de uma base com forte conectividade com a América Latina.

Venezuela: Miami como destino permanente

O caso venezuelano é o mais distinto de todos os cinco grupos. Enquanto colombianos, argentinos, brasileiros e mexicanos compram predominantemente para investimento, renda ou uso de férias, os compradores venezuelanos têm uma motivação diferente e mais definitiva.

49% dos compradores venezuelanos pretendem fazer de Miami sua residência principal. Não uma casa de férias. Não um investimento. Um lar permanente.

Para as famílias venezuelanas, Miami não é uma escolha de portfólio. É uma decisão de vida motivada pela instabilidade política e econômica do país de origem e pela presença de uma das maiores comunidades venezuelanas fora da Venezuela. Miami tem a infraestrutura, a comunidade e o contexto cultural que facilitam essa transição.

O padrão que conecta todos os cinco

Por mais distintas que sejam as motivações específicas de cada grupo, existe um padrão comum que atravessa todos os cinco países: a busca por estabilidade em uma jurisdição confiável, com ativos denominados em dólar, em um mercado com fundamentos sólidos de longo prazo.

Miami não é o destino favorito da América Latina por acaso. É o destino favorito porque oferece uma combinação que nenhuma outra cidade americana replica conectividade com a América Latina, ambiente multicultural, infraestrutura financeira internacional, zero de imposto de renda estadual e um mercado imobiliário ancorado por demanda real.

73 países compram em Miami. Mas é a América Latina que define o caráter do mercado. E esse caráter não está mudando. Está se aprofundando.

Gostou dessa análise? Acompanhe o blog para mais conteúdos sobre o mercado imobiliário do Sul da Flórida perfis de compradores, análises de bairros, estratégias de investimento e tudo que você precisa saber antes de tomar uma decisão. Se quiser conversar sobre como esse mercado se aplica ao seu perfil, me manda uma mensagem.